segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mediação – Definições e importâncias do trabalho do mediador


Mediação – Definições e importâncias do trabalho do mediador
Por Lucas Strey

A arte contemporânea no sentido de ser a arte produzida no seu tempo, mas que se projeta pra um tempo futuro, pois visa sempre à inovação e a pesquisa, quase sempre é incompreendida em sua totalidade pelo grande público, ou publico não especializado. Há muito tempo existe um distanciamento natural entre a obra de arte e publico maior, dês de as vanguardas modernistas e suas pesquisas dialéticas a arte parece sempre estar dois degraus à frente da sua plena compreensão pública. O motivo desse desparamento cognitivo entre a arte e publico geral é sem dúvida uma educação deficitária no âmbito da interpretação de imagens e posicionamento crítico. É nesse contexto que:
A “Mediação Cultural”, apresenta-se como meio de promover a crítica educativa e a compreensão das artes visuais e suas áreas educativas, de forma mais complexa, desde a ação escolar que relaciona-se ao entendimento e compreensão, fundamentada e discutida não apenas na atualidade mais por teóricos do século XX, fundadores da Escola Nova, que já se preocupavam com a qualidade da interpretação de imagens, obras de arte e demais oportunidades formadoras de opinião que surgem com este exercício de proporcionar o pensar. (BASTIANI A. Cláudia, NUNES A Luiza Ruschel, 2011, pg.1).
De acordo com a definição das autoras, podemos perceber a formação de uma cultura visual critica e a formação de um espectador mais completo como uma das funções do mediador artístico, entretanto, na minha modesta opinião, acredito que exista pelo menos mais uma função - a de informador artístico. Essa função surge diante do estado complexo em que a arte contemporânea encontra-se. Às vezes o grande brilho de uma mostra está no trabalho de curadoria, outras vezes o foco da obra reside em elementos particulares da vida do artista ou em minúcias factuais da sua carreira, em outros casos a origem do material ou modo como foi trazido ao local de exposição agrega o sentido fundamental à obra. Nesse sentido, a presença de uma figura capaz de trazer tais informações à cena da obra torna-se fundamental. Entretanto, o caráter interpretativo e o posicionamento critico diante da obra devem ser preservados, surge nesse momento uma fragilidade no trabalho de mediação. 
Assim, segundo MARTINS mediação é:
Provocação, não é imposição de idéias, mas leva o aluno (publico em geral) a perceber ângulos inusitados com diferentes perspectivas de seu próprio pensamento. Ampliação de conhecimento, tem que fazer sentido e relacionar com experiências para desenvolver o estético estimulando e ressignificando o conhecimento [...] (MARTINS,2007,p.76)
Para que o trabalho de mediação ocorra de maneira positiva, a adoção de uma metodologia bem pensada e fundamentada se faz extremamente necessária. O trabalho de mediação pode ir além da mostra ou exposição visitada, sendo desdobrado em atividades educativas que possibilitem a ampliação do que foi vivenciado no espaço expositivo.
Nesse contexto, o professor de artes em sala de aula também pode ser visto como um mediador, uma vez que proporciona em sala de aula toda a situação de aprendizagem anteriormente descrita. Concentra-se ainda na sua figura a função de curador, pois é quem seleciona e apresenta o repertório de imagens a serem estudadas pelos alunos.
8º Bienal do MERCOSUL – Projeto Pedagógico – 27/09/2011, professores da Escola Estadual Carinha de Anjo de Canoas visitam a mostra Geopoéticas no Cais do Porto Foto: Camila Cunha/Índicefoto.com
Fonte: http://www.bienalmercosul.art.br/noticia/1052, Acessado em: 31/10/2011

Em outras palavras conclui-se que, exercer a mediação não se trata apenas de uma função de apoio, mas de instrução e incentivo de educar o olhar estimular a curiosidade e o posicionamento crítico diante da obra de arte. A prática da atividade de Mediador, não é uma tarefa simples, mas novamente na minha humilde opinião é necessária e possível de ser realizada. O Mediador por meio do diálogo torna amplo o olhar do observador a respeito da Arte e suas Visualidades e também dos ambientes em que ela pode ser apreciada e observada.
Fazer com que o observador interaja e compreenda as imagens de uma forma diferente a que está habituado; essa prática pode torna o espectador ou aluno mais interessado, reflexivo e freqüentador de espaços destinados a Arte.




Referencias:
BASTIANI A. Cláudia, NUNES A Luiza Ruschel, Mediação para Exposição em Arte: Um caminho trilhado em contextos culturais e sociais 2010. Disponível em: http://www.fap.pr.gov.br/arquivos/File/extensao/2-ENREFAEB_3-Simposio-V/04AnaClaudiaBastiani.pdf . Acesso em: 15 de junho.2011.

MARTINS,M. C. Mediação:estudos iniciais de um conceito. 2007, Disponível em: http://equipearte.blogspot.com/2007_06_01_archive.html. Acesso em: 15 de junho.2011.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Três Pretos Velhos











Essas três esculturas foram feitas sob encomenda, seguindo uma intuições quanto a concepção das posições, dos traços fisionômicos e das indumentarias de cada uma das imagens.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

As três torneiras e eu...

O que dizer sobre esse trabalho?

A inspiração veio da proposta de trabalho surgida na disciplina Ateliê de desenho III do curso de artes visuais da UFRGS.

Pois bem, a proposta inicial era trabalhar desenhos de observação utilizando um mesmo objeto como modelo. Seria interessante que esse objeto não possuísse nenhuma carga artística sobre si, ou seja, que não fosse nenhum tipo de artesanato, lembrança ou enfeite. Partindo desta proposta, ao vasculhar meu ateliê atrás de algo que pudesse me interessar, acabei me deparando com uma velha torneira de latão.

Fui atraído imediatamente pela forma daquele objeto, sem falar na textura de metal dourado naturalmente envelhecido somados a possível memória que teria aquele objeto. De que época era aquela torneira? Década de 50, 60 ou 70? Em fim, só sabia que era bem antiga. Quantas pessoas já estiveram em frente a ela pelos mais variados motivos, lavar uma roupa em um tanque de cimento, ou então engatar uma velha mangueira para lavar o carro em um domingo de 1965 ou 67, não importava, só sabia que havia muita história sobre aquele objeto e foi ele que escolhi para representar em meus desenhos de observação.

Seguindo a primeira proposta representei a torneira sob varias perspectivas, testei materiais indo do nanquim ao grafite, sobre o papel jornal, Kraft e sulfite. Produzi inúmeros desenhos desde os rascunhos mais toscos até os mais elaborados. Vencendo essa proposta, surgia uma nova. O objetivo agora era representar o próprio corpo a partir da observação direta, ou seja, somente o que conseguíamos enxergar sem auxilio de espelho, fotografia ou projeções quaisquer. Deveríamos descobrir uma maneira para que nossa matéria pudesse entrar no desenho, de que modo poderíamos acessar nosso objeto representado na forma bidimensional.

Após infindáveis tentativas, encontrei o que poderia ser o melhor caminho para acessar o objeto. Tendo isso em vista, agora era só mergulhar na terceira proposta que se resumia em juntar os desenhos do próprio corpo aos desenhos do objeto em um suporto de dimensões capazes de abrigar ambos em escala aumentada.

Para realização do trabalho utilizei pastel seco e fixador. Para viabilizar a representação, concebi três perspectivas distintas da torneira e as distribuí na metade superior da composição. Reservei a parte inferior ao corpo, o posicionando de modo que pudesse estabelecer uma relação interativa com as torneiras. Para resolver o fundo do trabalho, busquei repetir os padrões criados pela união desencontrado dos módulos que compunham o suporte do desenho. Isso tudo você confere em “As três torneiras e EU...”.



"As três torneiras e eu..."; Lucas Strey 2010

Pastel Seco e fixador

190 x 120 cm ²

"As três torneiras e eu..."; Lucas Strey 2010

Pastel Seco e fixador

190 x 120 cm ²

"As três torneiras e eu..."; Lucas Strey 2010

Pastel Seco e fixador

190 x 120 cm ²

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desenho-Instalação "O que vemos, o que nos olha"

Assim como a ciência afirma que a vida tem sua origem na água, afirmo que a origem de todas as artes é sem dúvida o desenho. Geralmente, o artista lança todas as suas concepções iniciais de um trabalho em plano bidimensional por meio de um desenho. Esse é o projeto. Com seus vários níveis de tratamento, em não raros casos, o desenho torna-se o próprio trabalho artístico.
Caso o desenho em si seja, não um projeto, e sim o próprio trabalho de arte, o artista não encerra suas preocupações com o simples cessar das linhas. Quando damos um desenho por acabado, surge então um novo problema. Como expor o mesmo, e que tipo de relações este estabelecerá com o espaço ao qual estará interagindo?
O fazer artístico no contemporâneo, além de ser um agente no “tempo” deve ser também um agente no espaço. A arte contemporânea transbordou os locais institucionalizados - museus e galerias - tornando qualquer espaço físico em um local com potencial expositivo. Contudo, a ocupação destes novos espaços - que podem ser desde ruínas de prédios desativados, passando por estações de metro até o hall de um shopping Center - devem ser muito bem projetadas pelo artista, pois todos os elementos arquitetônicos do lugar presente, serão agentes influentes na percepção do publico espectador, sendo assim, também farão parte da obra.
Quando um conjunto de obras que estabelecem uma relação sintática entre si, é exposta em um determinado espaço, a configuração que assumem dá um significado a sua percepção que se for alterado, modificará também a fenomenologia perceptiva anteriormente estabelecida. Deste modo, cada ambiente sugere uma configuração, cada configuração sugere um novo trabalho, mesmo que os elementos envolvidos sejam os mesmos.
Dentro desse conceito, resolvi criar no atelier de desenho do Instituto de Artes da UFRGS, uma instalação envolvendo auto-retratos de tamanhos que variam desde a escala pequena, passando pela natural até chegar a grandes formatos. A obra estabelece um dialogo com o livro “O que vemos o que nos olha” do critico de arte Didi Huberman. Quem não pôde ver a exposição ao vivo, pode agora conferir a edição do passeio de um espectador genérico. Torne os olhos dele os seus e mergulhe em mais este trabalho de Lucas Strey.







video






















sábado, 3 de outubro de 2009

Exposição do Coletivo "Linhas de Trabalho" na Bienal B

Faz-se a mim impressionante, o fato de que cada vez mais crescem o numero de coletivos artísticos no Brasil e por experiência vivida, mais ainda no Rio Grande do Sul. Quase como uma guerra pela expressão artística e sustento material, os artistas buscam nos coletivos uma chance de sobreviver à margem de um mercado que não absorve com tanta facilidade como na década de 1980 as novas gerações de artistas. A inserção em um coletivo dá ao artista uma segurança, dentro de um grupo os artistas conseguem dividir os custos de um espaço de produção, das exposições e ainda somam um volume maior e mais variado de trabalhos.
Seguindo essa tendência do movimento artístico, a organização da Bienal B 2009 trouxe a proposta de expor os trabalhos de Grupos de artistas reunidos em Coletivos organizados. Frente a essa proposta, após muitas reuniões de bar e ateliê, surge o Coletivo “Linhas de Trabalho”, o grupo conta com Gilberto Menegaz, Guto Maahs, Lucas Fontana e Lucas Strey. Com evidente sucesso o coletivo inaugurou no dia 8 de outubro de 2009 às 19h30min na Alameda das Artes do Shopping TOTAL, uma mostra coletiva dentro da Bienal B 2009.
O publico compareceu fielmente a vernissage e ao “Linhas de Trabalho” foram oferecidos só elogios e boas criticas. O grupo foi feliz quanto à forma de ocupação do espaço, qualidade e apresentação das obras, escolha do vinho e programação visual do material de divulgação. Com o apoio logístico do Lápis Café, os convidados foram muito bem servidos e a mostra coletiva marcou uma reunião que deu certo.
No dia 3 de novembro a exposição foi desmontada e o livro de presença contava com mais de 250 nomes e belos comentários a cerca da exposição. Em conversa com a administração de eventos do Shopping TOTAL, fomos informados que a iniciativa do “Linhas de trabalho” em solicitar um espaço expositivo no shopping, abriu um precedente para tornar o lugar que outrora fora de uma situação esporádica e efêmera em um local permanente de exposições periódicas (essa possibilidade esta sendo analisada pela administração do Shopping).
Folder de Divulgação da Exposição
(foto do fundo Guto Maahs e layout do cartaz Gilberto menegaz)
Fonto que simboliza a abertura do evento,
na foto reunidos estão os artiostas e organizadora da Bienal B 2009,
da esquerda para direita
(Lucas Strey, Lucas Fontana, Isabel Castro, Gilberto Menegaz e Guto Maahs).

Movimento do publico na alameda em frente
a sala expositiva.


Gilberta Menegaz apresenta seu trabalho
a dois espectadores da mostra.


Espectador flagrado observando a obra
"O que te prende a Vida" - Lucas Strey




Ceramista Tamir flagrado observando a obra
"O que te prende a Vida" - Lucas Strey



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

"Feita de fato"


Quebra da Lógica e Presença do Humor


A obra denominada “feita de fato” é uma produção escultórica que envolve técnicas mistas, com utilização de metal, fita adesiva, cola branca e jornal impresso. A poética realizada tem como motim central a presença do corpo e se vale de um forte apelo narrativo que se desenvolve apoiado no que poderia ser chamado de humor cômico, dado ao fato da narrativa quebrar com certa lógica possível.
A total ausência de pedestal ou de qualquer mecanismo que isola a obra de arte do espaço em que se encontra exposta concede a mesma a liberdade de interação com o ambiente em que está inserida. A imagem criada sugere um congelamento da ação, abrindo ao espectador um leque de possibilidades de interatividade reflexiva diante da imagem tridimensional.
A obra possui o que denomino como marca própria: a arte que desenvolvo nasce do meu interior, ganha o espaço externo através da minha técnica e completa-se diante do meu espectador, provavelmente você.
Desconsiderem as impressões do artista a respeito de sua própria criação e busquem refletir, analisar e obter suas próprias conclusões a respeito de cada obra de arte. Acredito que esse é o maior papel da arte contemporânea: colocar as pessoas em estado reflexivo.




"Feita de Fato"- Lucas Strey 2009
Tecnica mista de metal, jornal, cola e resina
130 x 60 x 70 cm³


"Feita de Fato"- Lucas Strey 2009
Tecnica mista de metal, jornal, cola e resina
130 x 60 x 70 cm³

"Feita de Fato"- Lucas Strey 2009
Tecnica mista de metal, jornal, cola e resina
130 x 60 x 70 cm³


"Feita de Fato"- Lucas Strey 2009
Tecnica mista de metal, jornal, cola e resina
130 x 60 x 70 cm³


"Feita de Fato"- Lucas Strey 2009
Tecnica mista de metal, jornal, cola e resina
130 x 60 x 70 cm³

terça-feira, 28 de julho de 2009

Projeto - “O que te prende a vida?!”

Projeto de trabalho em andamento inserido no coletivo "Linhas de trabalho" para exposição da Bienal B


A inspiração que me moveu a realizar esse trabalho foi a vontade de fazer um rosto genérico, sem um modelo especifico. Então refleti por alguns instantes e concluí: “O que pode ser mais genérico que um crânio de um esqueleto?” Essa forma interna estrutural, comum a todos os seres humanos, traz a mim várias reflexões, e uma delas é a seguinte: por mais diferentes que sejamos uns dos outros fisicamente, quando a morte chega e a degradação natural atua sobre nosso corpo material, acabamos todos iguais.
Sendo assim, decidi utilizar a forma do crânio como a representação humana. Apesar de buscar uma anatomia muito próxima do real, dei-me certa liberdade de brincar com a possibilidade da deformação para ampliar as possibilidades de interação do espectador.
Após a fase de modelagem do crânio, surgiu-me a necessidade de ampliar as possibilidades tanto plásticas quando de acepção da obra. Desse modo, decidi compor o entalhe do crânio com novos materiais: agreguei o aço, o cobre e o latão polidos à visualidade e à cognição da obra.
Busquei modelar as hastes de metal, afim de atribuir leveza e movimento ao entalhe do crânio. O resultado obtido, segundo minha percepção, é a sensação de que o crânio flutua, sendo aprisionado pelas linhas de metal à base ou à superfície em que estão fixadas. Cria-se, assim, uma tensão entre as duas formas, a leveza do entalhe e o peso da pedra-base, unidos pelas linhas de metal.
Deixando a atribuição de significados e sensações especificadas a cargo do espectador, simplesmente experimento a composição de formas e materiais. Claro que tenho minhas motivações e os significados das formas aplicadas à execução do trabalho, mas acredito que esses não têm a menor serventia para o espectador no momento de fruição da poética realizada, pois somente o condicionaria a uma única percepção e interpretação, limitando as possibilidades de leitura da obra. Assim, não os comentarei nesse texto. Limito-me a empregar os significados que encontro na composição, dando o título que também fará parte da obra como mais um elemento material: “O que te prende a vida?”









Imagens do crânio de madeira entalhado em cedro


"Crânio entalhado"- Lucas Strey 2009
entalhe em madeira (Angelin)
35 x 23 x 41 cm³

"Crânio entalhado"- Lucas Strey 2009
entalhe em madeira (Angelin)
35 x 23 x 41 cm³

"Crânio entalhado"- Lucas Strey 2009
entalhe em madeira (Angelin)
35 x 23 x 41 cm³


"Crânio entalhado"- Lucas Strey 2009
entalhe em madeira (Angelin)
35 x 23 x 41 cm³





Imagens da obra parcilamente montada



"O que te prende à Vida?!"- Lucas Strey 2009
tecnica mista madeira e metal

75 x 38 x 47 cm³

"O que te prende à Vida?!"- Lucas Strey 2009

tecnica mista madeira e metal
75 x 38 x 47 cm³


"O que te prende à Vida?!"- Lucas Strey 2009
tecnica mista madeira e metal

75 x 38 x 47 cm³


"O que te prende à Vida?!"- Lucas Strey 2009
tecnica mista madeira e metal

75 x 38 x 47 cm³



"O que te prende à Vida?!"- Lucas Strey 2009

tecnica mista madeira e metal
75 x 38 x 47 cm³